Afonso do Cimo
Como antes do 25 de Abril o Governo tudo controlava

É publicada em transcrição dactilográfica a carta do Dr. Vítor Marques Miragaia, que foi ilustre advogado em Mortágua, pai do Dr. Vítor Miragaia actualmente advogado em Lisboa. Escreveu a carta reproduzida em anexo, no distante ano de 1971, ao também Eng. Vítor Louro, engenheiro florestal, que estava (1971) interessado em documentar-se sobre o movimento cooperativo rural no sector da economia da floresta.
Quis então o Eng. Vítor Louro obter informação sobre a recente (à data) Cooperativa Florestal das Beiras com sede em Águeda e âmbito geográfico nas Beiras.
Com a constituição dessa cooperativa pretendeu-se organizar os pequenos e médios produtores florestais das Beiras (onde poucos há grandes) para valorizar a rolaria de eucalipto e de pinho vendida a baixo preço sobretudo para as fábricas de celulose.
Entre os dirigentes da Cooperativa Florestal das Beiras são referidos nessa carta de 1971 o Prof. Urbano e o Eng. Flávio Martins, de Arrancada do Vouga, abaixo das Talhadas.
Como é referido na carta, os grandes interesses madeireiros terão influenciado o governo de antes do 25 de Abril para não aprovar os estatutos da Cooperativa nem a eleição da sua direcção, o que as leis de então permitiam ao governo que controlava as iniciativas dos cidadãos em benefício dos grandes interesses económicos, como também faz o governo que temos, embora por métodos menos repressivos.
Foi assim que durante 48 anos o sistema político funcionou: sem controlo judicial, intrometendo-se na vida dos cidadãos e nas suas organizações (cooperativas, associações culturais e outras) constituídas para defesa dos seus interesses, reprimindo com a polícia (Pide) e com cadeia os que discordavam do regime político.
Vai também reproduzido o original manuscrito da carta.Redação Gazeta da Beira
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