“Plantar o Caramulo”

CEISCaramulo (Centro de Estudos e Interpretação da Serra do Caramulo)

• Catarina Vieira*

Ed652_caramuloMembros da Associação “Olho Vivo”, enquanto parceiros e amigos do CEISCaramulo (Centro de Estudos e Interpretação da Serra do Caramulo), estiveram a “Plantar o Caramulo”, no dia 22 de Março.

Esta iniciativa da Câmara Municipal de Tondela contou com a parceria de várias entidades como o Agrupamento de Escolas Tomaz Ribeiro, O CEISCaramulo, o ICNF, os Bombeiros Voluntários de Tondela e Vale de Besteiros, o GIPS, o Museu do Caramulo, as Juntas de Freguesia, o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente, a Autoridade Nacional de Proteção Civil, o Regimento de Infantaria de Viseu nº14, a Fundação Abel e João Lacerda, e as empresas PaulosAuto e Nutrofertil.

Com a vontade de mil voluntários (que resistiram ao frio e à chuva intensos que se fizeram sentir), foram plantadas 10 mil árvores autóctones em S. Marcos (Santiago de Besteiros), Cadraço e Viveiros (Guardão) e em São João do Monte conce-lho de Tondela. Valeu a quem nunca tinha pegado numa enxada a ajuda das gentes da serra, pois a terra não estava negra como o carvão, o solo era carvão! Assim, foi necessário aprender a cavar para que as árvores fossem plantadas numa camada de solo que permita a sua sobrevivência.

Dois dias depois desta acção, o Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, apresentou ao mini-stro e ao secretário de Estado da Administração Interna um documento resultante da reflexão sobre o relatório ao dispositivo especial de combate aos incêndios florestais de 2013. Nele é referida a necessidade de planear, coordenar, financiar, conhecer, combater e prevenir para que não se percam mais vidas humanas e para que a fauna e a flora não sofram consequências devastadoras.

Prevenir é também a palavra de ordem do relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) das Nações Unidas que foi tornado público, no Japão, esta segunda-feira, sobre a forma como os impactos físicos se relacionam com a exposição e a vulnerabilidade da população, produzindo um risco para a sociedade.

As quatro conclusões principais são que os riscos são reais, variados e de grande alcance; a incerteza sobre a gravidade dos impactos não é motivo para atrasar a acção; as comunidades pobres e marginalizadas serão as mais atingidas; e não há uma solução única de adaptação ao clima que sirva todos.

O Conselho Europeu remeteu, em Março, todas as decisões para Outubro. Não há tempo para andar a brincar! As eleições europeias aproximam-se. É necessário e urgente tomar medidas que evitem a situação catastrófica a nível ambiental e, consequentemente, social e económica para a qual milhares de cientistas e peritos alertam. Os políticos e os cidadãos não podem adiar mais, porque os eventos meteorológicos extremos estão aí. A Europa tem um papel fundamental. Portugal tem de fazer a sua parte: apostar nas energias renováveis e prevenir os incêndios florestais.

O secretário da Organização Meteorológica Mundial, Michel Jarraud, afirmou que “Já não há qualquer dúvida de que o clima está a mudar […] 95% destas mudanças ficam a dever-se à acção humana”. A “Olho Vivo” sempre disse que está nas mãos de todos e de qualquer um fazer a sua parte! E mantenha o “Olho Vivo”, porque o futuro está já aqui.

*Catarina Vieira e Castro (Núcleo de Viseu da Associação “Olho Vivo” – Associação de Defesa do Ambiente, Património e Direitos Humanos)Redação Gazeta da Beira

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