Nova legislação pode trazer mais camas para a UCC de Vouzela

Eugénio Lobo defende que esta é a única solução para equilibrar contas

• Patrícia Fernandes

Ed652_Provedor-IMG_9865Em breve, vai sair uma nova legislação relativa às Unidades de Cuidados Continuados. Novas leis que o provedor da Santa Casa de Misericórdia de Vouzela aguarda com expectativa. Eugénio Lobo, depois de receber um relatório favorável de Coimbra, que comprova “as excelentes condições do serviço” tem esperança de que a tutela volte atrás e que permita instalar mais camas neste hospital de retaguarda. Segundo Eugénio Lobo, esta é a única solução para que a Unidade de Cuidados Continuados de Vouzela continue aberta. Caso contrário, com um prejuízo anual superior a uma centena de milhares, as instalações não têm outra solução a não ser fechar portas.

A espera é já longa. Desde a sua abertura, em 2008, que a Unidade de Cuidados Continuados reivindica a possibilidade de colocar mais camas por quarto. A legislação atual só permite o funcionamento de duas camas, sendo que, a título excecional, podem vir a funcionar três. Uma alteração que veio complicar as contas de um projeto que estava pensado para acolher quatro camas por enfermaria. Como recorda Eugénio Lobo, “O projeto que nós fizemos para a Unidade, que funciona no antigo hospital, foi apresentado na Administração Regional de Saúde em Coimbra e estava previsto que tivesse 26 enfermarias com 4 camas; contudo, aquando da abertura, a inspetora não permitiu que tivesse mais do que 3 camas”.

Desde então a Santa Casa da Misericórdia tem lutado por uma alteração desta imposição, a única forma de conseguir dar rentabilidade à Unidade de Cuidados Continuados. Como adiantou Eugénio Lobo, “está para breve a publicação de nova legislação para as Unidades de Cuidados Continuados e temos esperança de que traga mais abertura para estes serviços”. Recentemente, a Unidade já foi visitada por uma equipa de Coimbra que apresentou um parecer muito positivo. Como explica o Provedor, “o relatório diz que esta é uma Unidade de excelência, com muita qualidade e com todas as condições”. Um relatório que está já nas mãos da tutela e que vai pesar na decisão final.

Impasse pode ditar o encerramento

Para Eugénio Lobo a situação atual é incomportável para a instituição. Em 2013, as contas fecharam com um prejuízo anual a rondar os 139 mil euros, uma situação que “não vão conseguir manter eternamente”. Se nada for alterado, a Unidade corre mesmo o risco de fechar, “uma perda muito grande para toda a região, principalmente para Vouzela e São Pedro do Sul” e que põe em cheque “32 postos de trabalho”. Para o  Provedor, a possibilidade de aumentar o número de camas ou a sua topologia é “a única maneira de equilibrar as contas”.  Como defendeu, “teríamos quase os mesmo custos, não precisávamos de aumentar o pessoal, os custo de eletricidade seriam os mesmos…só teríamos alguma despesa a mais, na medicação e na comida”. Segundo o Provedor, a Unidade tem “condições magníficas para acolher 4 camas” e espaço mais que suficiente já que “tiveram mesmo de colocar uma mesa para encobrir a falta que temos no espaço”.

Eugénio Lobo não compreende este impasse. Como referiu: “É lamentável não nos deixarem colocar mais camas, quando, os hospitais estão a abarrotar e quando não há camas suficientes e há muitas pessoas nos corredores”. Ainda mais, quando, como acrescenta, é uma forma de o Estado poupar. “Uma cama numa Unidade fica cem vezes mais barata do que no hospital, é lamentável que o Estado não veja aqui uma oportunidade para poupar dinheiro”, conclui o provedor que aguarda boas notícias.Redação Gazeta da Beira

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