EPC, Escola virada para futuro e com futuro

Isabel Prates, diretora pedagógica da Escola Profissional de Carvalhais, em entrevista

Ed651_EscolaPC_IMG_9764Isabel Prates fala com entusiasmo da Escola que dirige, dos seus projetos, da sua oferta formativa e  do seu dinamismo, dentro e fora da instituição. Defende o ensino profissional como uma alternativa exigente e completa, e reforça a importância de uma educação de proximidade, atenta às particularidades de cada aluno. Diretora pedagógica há 3 anos, Isabel Prates abriu as portas da Escola Profissional de Carvalhais à Gazeta da Beira e apresentou uma escola ativa e envolvente num verde expressivo, apresentou uma escola sem barreiras, integrada na comunidade, uma escola virada para o futuro e com futuro.

• Patrícia Fernandes

Gazeta da Beira(GB): Há quantos anos está à frente da escola de Carvalhais, como é que surgiu esta oportunidade e porque é que a aceitou?

Isabel Prates(IP): Sou diretora da Escola Profissional de Carvalhais (EPC) há 3 anos. É um desafio e eu gosto de desafios. Na altura, a direção do Centro de Promoção Social fez-me o convite, eu considerei que era uma proposta muito interessante e aceitei-a com entusiasmo. Tem correspondido, plenamente, às minhas expectativas. São tempos difíceis e apanhámos pelo meio uma crise financeira muito complicada, que tem tornado a vida das escolas e das famílias muito difícil e portanto, a vida de muitos alunos também; mas sim, em termos profissionais, tem sido um desafio muito positivo.

 

GB: O ensino profissional tem sido uma aposta cada vez mais recorrente nos últimos anos. Segundo o seu ponto de vista, a que é que se deve esse facto? Fazia falta? Especificamente, sobre a Escola Profissional de Carvalhais, como é que tem sido a evolução a nível do número de alunos, desde 1991 à atualidade?

IP: Esse facto deve-se à necessidade de preparar os jovens que pretendem entrar no mercado de trabalho, com competências profissionais adequadas aos tempos atuais. O ensino profissional fazia imensa falta, principalmente de uma forma mais estruturada, mais pensada, para responder às necessidades de cada região. Antes, os cursos profissionais eram escolhidos um pouco ao acaso, muitas vezes por tradição desta ou daquela escola. Neste momento, existe um plano estratégico definido. É pensado por nut, por zonas, e é uma forma de adequar a oferta profissional às necessidades de cada região. Como é evidente a realidade e as necessidades de uma zona urbana são muito diferentes das de uma zona do interior. Dar oportunidades iguais aos jovens não significa dar a todos igual, mas sim dar a cada um aquilo que precisa no contexto onde vive.

A Escola Profissional de Carvalhais cresceu muito nos últimos anos, tem procurado sempre melhorar e modernizaEd651_restauracaor-se. Temos instalações modernas e bem equipadas, uma escola sem barreiras, integrada na comunidade, numa zona de grande beleza natural. Atualmente tem cerca de 270 alunos, dos quais 100 a residir nos alojamentos escolares.

 

 

 

GB: A nível formativo, qual é a oferta Ed651_IMG_9763atual da Escola? No futuro próximo está previsto alargar o leque de cursos?

IP: Na Escola Profissional de Carvalhais temos em funcionamento os seguintes cursos profissionais: Técnico de Restauração, com as duas saídas profissionais Cozinha/ Pastelaria e Restaurante/ bar; Técnico de Termalismo; Técnico de Informática de Gestão; Técnico de Turismo; Técnico de Receção; Técnico de Apoio à Gestão Desportiva e Técnico de Gestão do Ambiente.

 

 

 

Temos taEd651_IMG_9761mbém Cursos de Educação e Formação de Jovens, para conclusão do 9º ano de escolaridade.

No próximo ano letivo, gostaríamos, também, de abrir os cursos profissionais de Técnico de Proteção Civil e de Técnico de Produção Agrária. No passado ano letivo já tentámos abrir este curso, mas não tivemos o número de alunos necessário para abrir uma turma. O que é uma pena, porque, para além de ser uma das áreas onde continua a haver mais apoios, a nível comunitário, a Escola tem belíssimas condições para ministrar este curso. Vamos ver se este ano, o Ano Internacional da Agricultura Familiar, conseguimos motivar os jovens para esta área.

 

GB:Tendo em conta as exigências atuais do mercado de trabalho, qual é a importância de nos dias de hoje ter uma profissão?

IP: É fundamental. Os jovens que pretendem seguir para o ensino superior devem fazê-lo, sabendo que o mercado de trabalho mudará durante o tempo que durar a sua formação e poderá não corresponder às expetativas que os jovens têm quando iniciam um curso. Hoje nada temos como garantido. Os que pretendem entrar no mercado de trabalho devem ter consciência de que é necessário ter competências profissionais para o fazer. E têm todas as vantagens se tiverem essas competências certificadas, para o mercado nacional e internacional. Todos ganham em qualidade e eficiência.

 

GB: Os cursos profissionais têm uma componente prática muito significativa. A nível de material prático, de forma geral, o que é que a Escola Profissional tem para oferecer? Segundo o seu ponto de vista, a Escola tem todas as condições necessárias para as aulas práticas? A nível de apoios e investimentos o ensino profissional, nomeadamente a Escola de Carvalhais, têm os apoios necessários?

Ed651_IMG_9792IP: Sim, de facto sim. Tem excelentes instalações, salas bem equipadas, cozinhas pedagógicas amplas e funcionais, um bom salão de convívio e de espetáculos, bar, refeitório, campos de treino, etc. E tem também protocolos com instituições de referência no âmbito dos cursos que oferece. Por exemplo, as aulas práticas de Termalismo decorrem na Termalistur, as práticas de Apoio à Gestão Desportiva usam as instalações do Bioparque.

 

 

 

 

Ed651_IMG_9786GB: Relativamente aos estágios, como é que funciona? As empresas tem sido recetivas? Esta é também uma porta aberta para que, posteriormente, os alunos consigam emprego?

IP: Temos estágios curriculares e extracurriculares. Os primeiros fazem parte da formação obrigatória nos cursos profissionais e são realizados no 2º (11º) e no 3º (12º) ano. Muitas vezes as empresas que os recebem decidem oferecer-lhes emprego. Os estágios extracurriculares são uma preparação adicional, não são para todos os alunos e são feitos no 1º ano. No ano passado 6 alunos do curso de Turismo tiveram este tipo de estágio no Hotel Hilton de Vilamoura, no Hotel  Real Santa Eulália de Albufeira e no Hotel Tiara Park Atlantica em Lisboa, entre outros. Este ano teremos alunos a estagiar na Groundforce Portugal.

 

GB: A escola tem, também, alguns estágios no estrangeiro, a partir do programa Leonardo Da Vinci. Quantos é que vão ser realizados e em que países? Esta internacionalização é positiva para os alunos?

IP: Tem sido uma experiência fantástica para os nossos alunos. No ano letivo passado tivemos um assistente Comenius, italiano, na EPC. 18 alunos tiveram oportunidade de fazer estágio em mobilidade do programa Leonardo da Vinci, com tudo pago. 12 foram para Itália e 6 para o sul de Espanha. Este ano irão para Inglaterra e já fizemos a candidatura para o próximo ano, agora em Erasmus Plus. Em princípio irão para a Bulgária e novamente para Itália. Este ano teremos estágios de mobilidade internacional também para ex-alunos que estejam desempregados. Temos também empresas estrangeiras, nomeadamente da Galiza e da Suíça a oferecer estágios aos alunos da EPC. Esta mobilidade internacional permite aos nossos alunos perceber as condições e as técnicas de trabalho num país diferente e mostrar as que aprendeu na escola. Permite-lhes também ganhar autonomia e capacidade de resolução de problemas, aprender ou melhorar uma língua estrangeira, conhecer novos contextos e novas pessoas, sair da sua zona de conforto, alargar horizontes a nível pessoal e profissional.

 

GB: Relativamente aos formandos da Escola Profissional de Carvalhais, qual é a percentagem de empregabilidade. Há um acampamento e um apoio da escola nas questões de empregabilidade e das saídas profissionais?

IP: Relativamente a dados do ano anterior que conseguimos, através do contacto com os alunos, o Curso de Técnico de Restauração tem uma empregabilidade de cerca de 100 por cento e os outros cursos têm uma percentagem real a rondar os 70 por cento, o que é muito positivo tendo em conta a conjuntura que atravessamos.

A Escola prima por manter um contacto com os alunos que já terminaram a sua formação e perceber qual a sua situação. Este ano, inclusive, estamos a ponderar preparar um encontro com os ex-alunos. A escola não é muito grande e isso permite-nos ter uma relação muito próxima, acredito que os alunos têm aqui uma segunda família.

 

GB: A Escola tem previstas algumas atividades para a comunidade? Qual a importância desta participações para o concelho, a escola e os alunos? Há mais algumas iniciativas que vão contar com a participação da Escola?

IP: Nesse aspeto a EPC é uma escola muito dinâmica. Há sempre coisas a acontecer. Temos um grupo de dança contemporânea, os Emotion Performance Crew, que atua em atividades dentro e fora da escola. Os nossos alunos participaram na Feira da Castanha e do Mel, de Macieira, com Workshops variados; vão também participar na Festa da Laranja, em Valadares; participaram no Festival da Vitela; temos alunos em projetos de voluntariado; no ano passado prestaram apoio aos peregrinos que se deslocavam para Fátima, atividade que se repetirá este ano; estiveram no Optimus Alive; fazem atividades com os idosos do Centro de Dia, na comunidade. Este ano constituiu-se uma equipa de alunos que integram o projeto Young Volunteam, tendo participado no Festival In, na Fil, em Lisboa. No ano passado uma equipa de alunos venceu o Torneio Estudantil de Computação Multilinguagem de Aveiro (TECLA) este ano outra equipa de alunos também participou. Nos dois últimos anos letivos ,foram alunos da EPC que venceram a final concelhia do projeto de Empreendedorismo nas Escolas da Região, promovido pela Comunidade Intermunicipal Dão-Lafões. Este ano há mais projetos. Há festas no final dos períodos, no Natal, no Carnaval, no dia dos namorados. Há Festival da Canção e este ano também participamos no “Escolíadas” e no Concurso Prémio Fundação Ilídio Pinho – Ciência na Escola. Há muitas viagens de estudo, de acordo com os programas de cada curso. No presente ano letivo os alunos já foram visitar o Palácio Nacional de Mafra, para apoio ao estudo do Memorial do Convento, de Saramago e ao Teatro Viriato, em Viseu, assistir ao recital de Diogo Infante, relativo ao Sermão de Santo António aos Peixes, ao Medialab, do jornal Diário de Notícias, à Fábrica da Ciência em Aveiro; ao Museu do Quartzo, ao Museu Grão Vasco; à Escola Superior Agrária de Coimbra; foi um grupo para Odemira em Intercâmbio. A English Theatre Company vem à nossa escola pela terceira vez este ano letivo. Os alunos das turmas de Turismo e Receção compareceram no Encontro Nacional de Estudantes de Turismo, em Viseu. Temos anualmente uma semana Cultural, com palestras, conferências, Workshops de caráter formativo, um Seminário de Aprofundamento Intercultural e Transdisciplinar de Informática de Gestão, e o SIBTUR, Simpósio Internacional de Boas Práticas no Turismo, que terá este ano a sua 2ª edição. Há muitas mais atividades programadas para os próximos meses.

 

GB: Há, ainda, algum preconceito da sociedade relativamente aos cursos profissionais?

IP: Gostaria de dizer que não há, mas infelizmente não é verdade. Há, ainda, um grande preconceito relativamente aos cursos profissionais, há quem pense que estes cursos são só para os maus alunos, o que não é verdade. Estes cursos são para aqueles alunos que querem entrar no mercado de trabalho e que, deste modo, para além do 12º ano ficam também preparados para uma profissão. Nem todos os alunos têm que seguir o mesmo percurso.

Também não é verdade que os cursos profissionais são mais fáceis. Os alunos, para além das disciplinas teóricas, têm uma pesada componente prática. Todos os dias têm aulas das 9h às 17h30; ora, isto é uma carga superior às dos percursos regulares, nos quais os alunos têm alguns tempos livres. Contudo, nos últimos anos, houve uma progressiva valorização da função destes cursos na conjuntura educacional e profissional.

 

GB: A Escola Profissional de Carvalhais tem sido um dos polos dinamizadores do concelho. Em termos económicos e também de visibilidade, qual a importância da Escola para o concelho?

IP: Penso que a EPC é uma mais-valia para o concelho, porque permite alargar a variedade formativa. Isso é bom para os jovens que aqui residem e para tantos outros, que nos chegam de longe. É um núcleo de movimento, que gera anualmente muitos postos de emprego.

 

GB: Quais são as suas principais ambições e projetos para o futuro da Escola Profissional de Carvalhais? Onde é que gostava de a levar na sua direção?

IP: O nosso objetivo é manter a EPC com a dinâmica formativa atual. É um projeto muito ambicioso, devido à diminuição progressiva do número de alunos no país e a esta crise económica que ameaça ser interminável.

 

Dados Biográficos

Ed651_IsabelPrates_IMG_9805Local e data de nascimento:

Casa Branca, Portalegre, 23 de janeiro de 1962.

Formação académica:

Lincenciada em Línguas e Literaturas Modernas, pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa

Mestrado em Estudos Portugueses, pela Universidade de Aveiro

Percurso socioprofissional:

Diretora da Escola Profissonal de Carvalhais, desde 2011/2012

Professora na Escola Secundária de São Pedro do Sul, desde 1988

Diretora do Colégio Português de Kinshasa, República Democrática do Congo em 1990/91

Membro do Conselho Diretivo da Escola Secundária de Patrício Prazeres, Lisboa em 1986/88

Professora desde 1984Redação Gazeta da Beira

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