DESPORTO (Ed. 827)

Edição 827 (12/05/2022)

Rodrigo Cortinhal e a Ginástica na sua Vida

• Paula Jorge

Rodrigo Cortinhal é um ex-atleta e treinador da Associação de Ginástica de Vouzela, atualmente a frequentar o mestrado de Ciências do Desporto e Educação Física pela Universidade de Coimbra. Fomos ao seu encontro para saber um pouco mais sobre a vertente desportiva na sua vida.

– O Desporto faz parte, desde sempre, da sua vida. Como iniciou o seu percurso na Ginástica em Vouzela? – “O desporto surge na minha vida por volta dos meus 15 anos. Foi nas artes marciais que me estreei como atleta, curioso, diria, hoje olhar para trás e ver que foi tarde, pois quanto mais cedo nos envolvemos neste mundo incrível, o mundo Desportivo, mais cedo podemos viver e guardar, em nós, memórias incríveis, levar amizades para a vida e, se possível, e com muito orgulho, deixar, por mais pequena que seja, uma marca do nosso trabalho e daquilo que alcançamos. No que diz respeito à ginástica em particular, foi sem dúvida o meu reencontro comigo mesmo, foi nesta modalidade fantástica que aprendi o quanto o desporto pode tornar-se parte de nós, o quanto nos pode ajudar, reconfortar e também fazer sofrer e, ao mesmo tempo, crescer/amadurecer para a vida. Aqui, aprende-se a respeitar e a partilhar sentimentos e emoções, aprende-se que o esforço e dedicação sempre darão os seus frutos, não apenas em termos de títulos, ou medalhas, mas sobretudo no que diz respeito ao nosso crescimento e desenvolvimento. Iniciei aqui um percurso que já conta com 8 anos, dos quais 5 como atleta e estes últimos 3/4 como treinador; passei do aprender para o ensinar e, hoje, muito do que sou devo à modalidade e às pessoas, aos colegas, amigos e mentor que cruzaram o meu caminho.”

– Quais os resultados/vitórias que o grupo de Ginástica de Vouzela tem alcançado com o seu contributo e que merecem aqui um destaque? – “No que diz respeito ao meu caminho e contributo, enquanto ex-atleta, destaco, talvez, o título de campeão nacional, juntamente com o meu parceiro (par masculino) na vertente do desporto escolar. Até ao momento fomos os únicos, contudo, sei que, rapidamente, e com o incrível trabalho que se tem vindo a desenvolver, estes títulos serão superados e ultrapassados, aliás já o foram em outras vertentes que não o deporto escolar. Os nossos atuais atletas são dedicados e empenhados, têm uma grande vontade e garra para alcançar tudo aquilo que quiserem, não só aqui, mas na vida, e é com muita felicidade e orgulho que os vejo crescer dia após dia, que nem o céu seja limite!”

– Como se sente com cada vitória alcançada? – “Não nego que cada vitória é sem dúvida um momento de enorme felicidade, é muitas das vezes o grande objetivo por detrás de tanto esforço e dedicação, afinal de contas, o caminho será sempre o mais importante, mas, alcançar o final, tem sempre um gosto diferente. Que nem tudo seja premiado, mas que a cada ultrapassar de etapa, a cada superação, seja dado o devido valor e o resto virá por acréscimo.”

– Que tipo de treinos fazem semanalmente para obter esses resultados? – “Os treinos têm de ser muito bem geridos para que possam render e, em cada um, devem existir não só objetivos comuns, de grupo, como também individuais (entre atletas). A ginástica é uma modalidade muito versátil, tanto necessita de força, como flexibilidade, tanto necessita de rigor como de delicadeza, tudo se envolve numa perfeita harmonia e, para o público, é tanto mais agradável ver o espetáculo, quanto mais diversas forem as apresentações, daí, por vezes, a dificuldade em conseguir conjugar tudo num só trabalho. Em cada treino deve haver um misto entre condição física, trabalho postural, técnica e flexibilidade, nunca descurando a parte coreográfica.”

– Que alimentação inclui na sua dieta para se manter com essa forma física impecável? – “Não diria de todo impecável, mas, sim, funcional, sem dúvida que o corpo é, e deve ser, uma prioridade, não só dos atletas, mas de todos. “É neles que habitamos todos os dias, há que saber cuidá-lo e conservá-lo”. Deve tirar-se parte do dia para cuidarmos de nós próprios, seja em termos de treino ou apenas a alimentação, tudo deve ser valorizado e, por vezes, pequenas escolhas e mudanças são o suficiente.”

– Que conselhos daria aos jovens que trocam o desporto para passarem horas em frente ao ecrã do computador a jogar? – “Existe tempo para tudo, por vezes não parece, mas bem conciliado e sem grande esforço temos tempo para fazer aquilo que queremos, aquilo que precisamos e sobretudo aquilo que devemos. O tempo de lazer dos jovens, atualmente, sem dúvida é pouco, mas se já tem de estar tanto tempo sentados numa sala, muitas das vezes a olhar para um ecrã, para que usar o tempo que resta nessa mesma tarefa? Saiam à rua, brinquem, divirtam-se, o tempo perdido jamais será recuperado e estão na altura ideal para aproveitar cada segundo, arrisquem, experimentem e, no final, vai sempre valer a pena a aprendizagem.”

– O que mais almeja em termos desportivos? – “Em termos de atleta, infelizmente, não me é permitido procurar muito mais, as mazelas já são algumas e não pretendo aspirar a mais prémios individuais; pretendo, essencialmente, transmitir tudo o que aprendi e sei e ajudar a que os meus atletas, esses, sim, alcancem tudo aquilo que desejam, pois não existem limites quando se quer!”

– Como se concilia o desporto com a família? – “Não vou negar que é difícil. Praticar desporto ou acompanhar quem pratica implica, por vezes, sacrifício, ter tempo, sair, correr o país e, no nosso caso, até mesmo ir mais longe, logo, algo fica para trás. Daí ser muito importante valorizar cada minutinho e, quando estamos, temos de estar de corpo e alma, bem presentes para que cada momento seja o mais agradável possível.”

– Que mensagem quer aqui deixar a todos os jovens que encontram no Desporto o seu porto de abrigo? – “Lembrem-se sempre disto – por vezes o percurso é/vai ser difícil, vão encontrar altos e baixos, vão querer desistir, eu sei, vão questionar – se o porquê de ser tão difícil, a razão de não terem o mérito que merecem, não atingirem o que pretendem…Mas volto a repetir, quando se quer mesmo muito, nem o céu é o limite, não podem haver limites, o ser humano têm algo de incrível, é muito persistente e corajoso, a vontade é meio caminho andado para alcançar um determinado objetivo, portanto, basta esperar e, mais cedo ou mais tarde, seremos recompensados e valorizados, quer pelo esforço quer pela conquista. O desporto será sempre um bom aliado e, muitas das vezes, trará respostas sem ser necessário dizer nada.”

A Gazeta da Beira deseja ao Rodrigo Cortinhal os maiores sucessos pessoais e desportivos!



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