DESPORTO (Ed. 822)

Edição 822 (24/02/2022)

Maria Carvalho: A Terapia do Desporto corre-lhe nas veias

A Maria José Barros Carvalho, natural de São Pedro do Sul, é uma jovem de 23 anos que abraçou, desde muito cedo, a área do desporto. Licenciada em Osteopatia e Auxiliar em Fisioterapia, neste momento é a responsável pela Terapia do Desporto da União Desportiva Sampedrense e do Fitclublafões. Fomos ao seu encontro para nos contar tudo.

– Como é que descobriste a tua paixão pela vertente ligada às terapias do desporto? – “Desde pequena, a área da massagem me despertou um genuíno interesse. Por exemplo, quando íamos à praia e pediam para espalhar o protetor nas costas de alguém, acabava sempre por fazer uma massagem e o feedback era muito positivo. Quando estava no secundário não sabia que área profissional queria seguir, mas como gostava da área da massagem comecei por me inscrever num curso de massagem e auxiliar de fisioterapia no Porto. Esse curso deu-me a possibilidade de fazer um estágio no Boavista, que consecutivamente acabou por me despertar o interesse pela área do desporto. Deste modo, quis seguir este percurso académico e tirar a licenciatura em fisioterapia, mas na altura a área da osteopatia começou a ser muito falada e reconhecida e eu acabei por me interessar mais por esse tema, acabando assim por tirar a licenciatura em osteopatia no Porto também. Neste curso, a cadeira com a qual mais me identifiquei foi osteopatia no desporto, enfatizando assim o meu gosto por esta área.”

 

– Descreve-nos especificamente o apoio que dás às equipas da UDS e ao Fitclublafões. – “São trabalhos um pouco diferentes, apesar de o objetivo final ser comum a ambos, que é ajudar na recuperação e bem-estar das pessoas. Na UDS acabo por trabalhar com jovens com lesões recentes e típicas da prática do futebol, preparando-os para as competições e a carga dos treinos. No ginásio trabalho com um leque mais amplo de idades, podendo assim ter que tratar todo o tipo de lesões. Para além das massagens desportivas e de tratamento, também faço massagens de relaxamento ou sessões de rotina.”

– Como é estar inserida e trabalhar num mundo de homens? – “Tenho uma relação muito boa com toda a equipa, tendo sempre em consideração que o fundamental é o respeito entre todos, coisa que nunca faltou no clube! Para mim é indiferente trabalhar num mundo só de homens ou mulheres, pois o objetivo final é igual para ambos: recuperação e bem-estar! A maior diferença acaba por ser no modo como eles me tratam, pois como sou a única mulher no meio de tantos homens, acabo por ser mais protegida por eles.”

 

– Que impedimentos te trouxe, no desempenho da tua função, a epidemia covid-19 e como foste ultrapassando esses entraves? – “Quando comecei a exercer nesta área, já estávamos em plena pandemia, por isso não tenho grande termo de comparação. No entanto, a pior parte são as alterações na agenda, devido a imprevistos de última hora, jogos adiados e tratamentos cancelados, devido a casos positivos de covid-19. A parte mais desafiante é perceber como a covid-19 afeta cada atleta, principalmente a nível respiratório e muscular e que tratamento aplicar de acordo com a singularidade dos sintomas.”

 

– Como te sentes, sendo natural da região de Lafões, ao trabalhar na terra que te viu nascer? – “Achas que outras oportunidades poderiam surgir ao avançares para outros locais do país? Eu adoro São pedro do Sul e não me imagino a viver noutro local. Já tive a experiência de viver numa grande cidade e não gostei muito, pois sentia que não era “a minha casa”. Acredito que se fosse para uma grande cidade teria mais oportunidades de trabalho, mas prefiro ficar aqui, onde tenho a minha família por perto e o apoio que preciso.”

– Podes descrever-nos as tuas rotinas de um dia da semana à tua escolha, do tipo diário de bordo? – “Vou falar do domingo, dado que é aquele dia inteiramente dedicado ao futebol. De manhã cedo gosto sempre de ir à cidade tomar um café para iniciar bem o dia. Começo por me equipar, preparar a mala com os materiais necessários, em caso de lesões, e o lanche dos jogadores. De seguida, dirijo-me para a Pedreira para a concentração da equipa. Temos sempre horários bem definidos para tudo: chegar ao campo, equipar, palestra e aquecer, para assim mantermos sempre uma rotina e não haver stress com atrasos. Antes do jogo preparo os jogadores com lesões recentes e alguns que sintam necessidade para tal nesse dia. A partir da altura em que começa o jogo, são mais ou menos 2h de stress e ansiedade, sempre com medo que alguém se lesione e, claro, o vontade de querer vencer! Após um dia tão intenso a nível físico e emocional, gosto de chegar a casa, tomar um banho de água bem quente e preparar tudo para uma nova semana de trabalho.”

 

– Que conselhos dás para a promoção de uma boa saúde a todos quantos nos estão a ler? – “A prática de exercício físico é fundamental, tanto nível físico como mental, pois esta liberta dopamina e endorfina (as chamadas hormonas da felicidade) no cérebro, que são responsáveis pelo bem-estar do ser humano. Aconselho a encontrarem um desporto que gostem para terem a motivação para treinar e espairecer do stress do dia a dia. Por exemplo, no fitclub temos a parte da musculação, do cardio e para quem não gosta tanto de treinos individuais, também há a opção das aulas de grupo, que permite o convívio com a supervisão e o apoio de um Personal Trainer. O exercício aliado a uma alimentação equilibrada são a chave para viver bem e com saúde.”

 

– O que almejas para o teu futuro? – “Gosto de viver um dia de cada vez e aproveitar o momento, sem pensar muito no futuro. Mas, claro que tenciono estar sempre aberta a novas oportunidades, a aprender novas metodologias e tirar mais formações para estar a par de toda a evolução na área da osteopatia e assim conseguir ajudar um maior número de pessoas. Para além do crescimento profissional, tenciono também evoluir a nível pessoal e construir cada vez melhores relações com os pacientes.”

 



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