A. Moniz Palme (Ed. 730)

Edição 730 (21/12/2017)

Aventuras e Desventuras da Ordem de Malta – Primeira Parte

As ordens religiosas militares e a sua actuação, fazem parte da nossa memória colectiva e da nossa história, apesar da confusão que muitas vezes mascara a sua imagem. E devido a tal conjuntura e à sua real importância na vida portuguesa, publiquei um longo artigo sobre os Templários e a Sua Ordem do Templo, em 2008, no meu livro”O Almofariz”.

Claro que não demorou muito a ser alvo da seguinte questão: -Qual a razão por que não me preocupei ainda com a divulgação da Ordem dos Hospitalários ou, como é modernamente apelidada, da ordem de Malta?!!!. Tal não é verdade, simplesmente a Ordem dos Templários teve um papel fundamental na vida portuguesa, durante séculos e, principalmente, durante a Gesta dos Descobrimentos. Por outro lado, diga-se de passagem, foi rodeada de grandes e profundos mistérios, criados por quem dela se queria aproveitar, o que constituía uma atracção para os investigadores e os admiradores mais jovens. Essa a razão porque desde sempre mereceu os meus imediatos cuidados, tendo até participado em muitas reuniões e congressos internacionais sobre os Templários e feito parte de um programa televisivo no Canal História. Mas, abordemos então a ordem de Malta.

Ora bem, começando pelo seu aparecimento no cenário deste mundo, direi que a Ordem dos Hospitalários foi fundada em Jerusalém, depois da sua conquista, em 1099, pelos Cruzados de Godofredo de Bulhão. Era constituída pelos Cavaleiros de S. João. Se a Ordem dos Templários tinha por objectivo defender os peregrinos durante a sua viagem à Terra Santa, os principais pontos de passagem, bem como as nascentes de água e todas as posições com interesse militar, a Ordem dos Hospitalários foi vocacionada primordialmente para o tratamento dos peregrinos, que muito naturalmente chegavam à Terra Santa, alquebrados, escalavrados fisicamente, exaustos e doentes. Igualmente ao que aconteceu com a organização templária, estes cavaleiros começaram a receber doações para custear as suas actividades, tendo que se organizar para poder exercer a prática da medicina, que satisfizesse as necessidades clínicas dos seus protegidos, que apareciam cada vez em maior número. Além do mais, eram obrigados a participar igualmente na defesa das posições militares cristãs.

Os cavaleiros que pretendiam entrar na Ordem tinham que apresentar provas da sua linhagem familiar, regra que já vi referida ter sido modificada nos tempos actuais, isto é, durante o Séc. XX.

Estavam organizados em capítulos nacionais, denominados LANGUES e chefiados por um Grão-Mestre. O primeiro Grão Mestre, foi Raymond de Puy. Contudo, em 1187 Saladino conquistou Jerusalém e os Hospitalários foram forçados a transferir a sua sede, para S. João de Acre de onde igualmente foram expulsos. Posteriormente, instalaram-se em Rodes, que tinham conquistado em 1309 e onde construíram fortificações mais eficazes do que aquelas que existiam. Apesar de tal, os otomanos, em 1480, atacaram Rodes, tendo sido vencidos pelos os cavaleiros de S. João, chefiados pelo Grão-Mestre Pierre d´Aubusson. Porém, meio século mais tarde, em 1522, foram daí igualmente, varridos pelos turcos chefiados, pelo Sultão Otomano, Sulimão o Magnífico. Era então Grão-Mestre Philippe de Villier de L´Isle Adam, que chefiou a Ordem de1521 a 1534. Perante esta situação, foram ocupar a Ilha de Malta, em 1530, por cedência de Carlos V, Imperador do Sacro Império Romano Germânico, perante o perigo que representava o previsível avanço muçulmano no Mediterrâneo e a esperança de que a Ordem de S. João constituísse, naquela ilha, um eficaz escudo de protecção da Europa, nas investidas do crescente vermelho. Por uma questão de curiosidade, os Cavaleiros de S. João passaram a pagar anualmente de renda, a Carlos V, um falcão maltês vivo. É esta a razão simples pela qual os Cavaleiros de S. João Hospitalários começaram a ser conhecidos, por Cavaleiros da Ordem de Malta.

Em 1571, os otomanos atacaram Malta com um poderosíssimo exército, mas os cavaleiros de S. João aguentaram o cerco e acabaram por fazer desistir os sitiantes, que se viram na contingência de retirar com pesadas baixas. Mais tarde, uma esquadra composta por navios de diversos países europeus, encabeçada pela armada austríaca, derrotou definitivamente os turcos, em 1571, na Batalha de Lepanto, acabando deste modo com o seu desejo de dominar o Mediterrâneo.

Os cavaleiros de S. João Hospitalários estiveram igualmente em Portugal, instalando-se em Leça do Bailio, onde permaneceram por muito tempo, sendo lá a cabeça do respectivo priorado. Tiveram um papel preponderante na Reconquista, à semelhança das outras ordens militares existentes. Mais tarde, receberam, no Crato, vastas terras, razão porque os Priores do Hospital se passaram a denominar Priores do Crato. Foi Prior do Crato, entre outros, o pai de D. Nuno Álvares Pereira, Frei D. Álvares Gonçalves Pereira, que em 1356 se transferiu do Crato para a Flor da Rosa. Recordo ainda que igualmente desempenhou essas funções, D. António, filho natural do Príncipe D. Luís, filho do Rei D. Manuel, donatário das Terras de Lafões, e de uma lindíssima rapariga judia, segundo os critérios de beleza da época, Violante Gomes, conhecida pela “Pelicana”. D. António que corajosamente fez frente às tropas dos Filipes, após o falecimento do Cardeal D. Henrique, foi também Prior do Crato.

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